Domingo, Novembro 15, 2009

Os exclusivos das estórias demoram-se sempre pelo caminho…

Reconheci-te o remorso. A tentativa sôfrega para abrandar a culpa. Na verdade, é isto mesmo que nos move, a culpa e o medo…
Apetecia-me afagar esse teu ar fatalista com abjurações falaciosas…Cobrir o teu medo de suavidade, à semelhança do que faz o som de música caseira às preocupações laborais…


És meu convidado neste despertar, onde a espera é censurada… Sustemos a respiração para não fazer muito barulho porque sabemos que o silêncio enternece… Um silêncio que se esfrega contra todos os poros da pele…

Proferes, cuidadosamente, as palavras da trama que escondes (convencendo-te de que quanto mais verdadeiro, mais poético) e ludibrias-me com a tua sagacidade… mas bem sabes que sempre gostei de versões diferentes…


(Cover de Pixies)

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

"1 Mensagem de..."

A noite fala connosco deixando-nos sussurrar no meio da floresta perdida aquilo que ainda encontramos... E sentimos como semente, flor, fruto em nosso ser... Encontro uma casa abandonada onde me alojo sentindo as vibrações de quem a habitou outrora, revelo o passado das suas paredes. Assustada, volto para a escuridão da floresta... Onde me perco... E talvez me encontre... Onde a tua é mais verdadeiro

Wipa, 13 Novembro de 2009
Há mensagens que chegam na melhor altura, como pessoas que surgem inesperadamente reflectidas num tom de alma incrivelmente suave e semelhante... As palavras têm um dom e um toque especial, tendo em conta quem as diz, quem as escreve ou solta no simples olhar...
Obrigada, Wipa e... "Apetecia-me contar-te um segredo" :)

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

O Segundo Desejo


(...)


De repente, no meio da história, apareceu o Génio. (...)

Estás tão crescida! Mas falta-te qualquer coisa...Já sei! É o teu coração. (...) E consegues ser feliz, mesmo sem o teu coração? - perguntou o génio preocupado com ela.

- Acho que sim. Pelo menos não penso nisso. Trabalho tanto que nem tenho tempo para pensar.

- Tapar uma coisa não é o mesmo que esquecê-la - advertiu o Génio.

- Eu sei (...) mas agora é melhor assim.

- E porque não pedes outro desejo? (...)


- Pode ser - concordou. - Quero que açguém encontre a concha onde está o meu coração e ma ofereça de presente.

- Está bem - respondeu o Génio. - Assim que eu encontrar a pessoa certa, resolvo-te isso.


E desapareceu mais uma vez, sem que mais ninguém o tivesse visto.


"Só os Génios é que conseguem aparecer e desaparecer desta maneira", pensou ela.





in A rapariga que perdeu o coração, de Margarida Rebelo Pinto

Terça-feira, Novembro 10, 2009

O primeiro desejo

(...)
Concha ficou em silêncio. Até que no seu espírito encontrou uma solução.
- Então vais fazer uma coisa mais difícil: escondes o meu coração dentro de uma concha no fundo do mar e eu fico cá para a minha Mãe não se sentir sozinha.

(...)
O seu coração vivia numa concha, perdido no fundo do mar. Ninguém sabia onde ele estava. Nem mesmo ela. Só o Génio, mas os génios não aparecem quando nós queremos (...) podia até dar-se o caso de ele nunca mais aparecer.
"Não faz mal", pensava ela. "Se alguém encontrar o meu coração, há-de descobrir onde moro e um dia eu vou tê-lo de volta."

(...)
Todas as noites sonhava que vivia dentro da concha onde estava o seu coração e foi assim que conseguiu crescer sem elouquecer de tristeza.

(...)
Concha nunca contou à Mãe o que o Génio fizera. Mas ela sabia, porque as mães sabem sempre tudo. Nem sempre revelam que sabem, mas sabem sempre.
Por isso a Mãe nunca lhe perguntou onde escondera o coração
(...) uma pessoa tem de saber proteger-se quando está muito ferida senão pode morrer. Foi o que Concha fez.



in A rapariga que perdeu o coração, de Margarida Rebelo Pinto

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Disseste-me que os lugares permanecem....



Sei bem que a memória é traiçoeira…
Sei bem que, por vezes, recordamos as coisas de acordo com as nossas percepções pessoais…
Sei bem que, fazemos por preservar determinados factos em detrimento de outros… ás vezes os melhores, outras vezes os menos bons...
Sei bem que o prazo da memória não é ilimitado...

Sei bem que construímos sempre as nossas memórias… e que também as podemos descontruir…
Mas ,e quando elas se começam a desvanecer sem que tenhamos nisso algum auto-controlo?

Contudo, o lugar que ocupamos permanece sempre... se não é em nós... é em quem está de perto...

"...queria fazer do amor um espaço que me ocupasse inteira."

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Por favor podia distribuir o seu cuidar descomprometidamente?


Hoje apetece-me gritar este título bem alto...

Em tom de oradores motivacionais ouço, muitas vezes, incentivos públicos no sentido de sermos capazes de tratar das pessoas com toda a dignidade humana e da melhor forma possível, não vá um dia isso acontecer-nos a nós próprios ou a alguém muito próximo (como se as coisas funcionassem neste sistema de troca).

E o que me impressiona mais é que, de facto, a plateia engrandece-se de comoção como se não tivesse atingido um outro estádio superior de desenvolvimento moral.

Não me incomoda perceber a inexistência de altruísmo puro mas fico com o coração apertadinho sempre que se descura (de maneira brutal) a beleza e o sentido da gratuidade.



Sexta-feira, Outubro 23, 2009


Acredito muito na diferença que fazem os pormenores!

Gostei quando soube que um Hospital Pediátrico exigiu aos funcionários que limpavam os vidros do edifício que só o fizessem se se vestissem de Super- Herois.
E assim é!